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De Volta a 2002: Como Era o Mercado Automotivo no Ano do Penta

De Volta a 2002: Como Era o Mercado Automotivo no Ano do Penta

De Volta a 2002: Como Era o Mercado Automotivo no Ano do Penta Gasolina a R$ 1,77, carro zero por R$ 13 mil e a completa…

De Volta a 2002: Como Era o Mercado Automotivo no Ano do Penta

Gasolina a R$ 1,77, carro zero por R$ 13 mil e a completa ausência de marcas chinesas mostram a transformação radical do setor em pouco mais de duas décadas.

Por Portal Alagoano

Relembrar o ano de 2002 é, para muitos brasileiros, reviver a alegria do pentacampeonato na Copa do Mundo. No entanto, uma viagem no tempo revela também um cenário econômico e automotivo que parece saído de outra realidade. Em pouco mais de vinte anos, as mudanças nas ruas do Brasil foram drásticas — desde os preços nas bombas até o tipo de veículo que domina as garagens.

Naquela época, abastecer o carro pesava bem menos no bolso: o litro da gasolina custava em média R$ 1,77. O etanol, que na época ainda era chamado popularmente (e nas bombas) de "álcool", saía por R$ 0,94. A padronização para o nome "etanol", buscando adequação ao mercado internacional e desassociação com campanhas de trânsito como a Lei Seca, só viria anos depois. Além disso, a tecnologia flex, hoje onipresente, sequer existia — o pioneiro Volkswagen Gol Flex só daria as caras em 2003.

O Carro Mais Barato e os Campeões de Venda

Se hoje comprar um veículo zero quilômetro exige um orçamento robusto, em julho de 2002, o carro mais barato do Brasil era o Fiat Uno Mille, vendido por módicos R$ 13.577. O modelo era básico ao extremo: ar-condicionado, por exemplo, era um item de luxo que custava quase 18% do valor total do veículo. Ajustado pela inflação (IPCA), o valor desse Uno equivaleria hoje a pouco mais de R$ 55 mil.

No topo do ranking de vendas, o Volkswagen Gol reinava absoluto, encerrando o ano do penta com mais de 208 mil unidades emplacadas. Já no segmento de comerciais leves, a Fiat Strada já mostrava sua força, dominando 40% das picapes compactas — um reinado que se consolidou e cresceu para mais de 67% nos dias atuais.

A Invasão dos SUVs e a Revolução Chinesa

Talvez as maiores diferenças entre o mercado de 2002 e o atual sejam o formato dos carros e a origem das montadoras. Há vinte anos, os SUVs (utilitários esportivos) eram raridade, restritos a modelos grandes e importados, como o Mitsubishi Pajero. A virada de chave ocorreria ainda no final daquele ano, com a Ford apresentando o primeiro EcoSport, modelo que inaugurou a febre dos SUVs compactos. Hoje, a categoria representa mais de 43% de todos os veículos vendidos no país.

Outro contraste marcante é a ausência de marcas chinesas em 2002. Enquanto a Copa acontecia na Coreia do Sul e no Japão e impulsionava as marcas desses países, montadoras como BYD e GWM engatinhavam na produção de comerciais ou nem sequer fabricavam carros de passeio. O cenário atual é o oposto absoluto: apenas em abril deste ano, as marcas chinesas já responderam por mais de 17% de todas as vendas no mercado nacional.

Com uma frota que saltou de 18,4 milhões em 2002 para mais de 40 milhões atualmente, o raio-x automotivo daquele ano mostra que a saudade dos brasileiros vai muito além do futebol apresentado por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

No ano em que o Brasil ganhou a Copa, a gasolina custava R$ 1,77 e o SUV era raro; veja o mercado de carros de 2002, quando o etanol ainda se chamava álcool.

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